SOBRE A VIRTÓPSIA

Reginaldo Franklin

 

Três anos após a descoberta dos raios X em 1895, a radiologia vem sendo aplicada tradicionalmente e aperfeiçoada dentro das ciências forenses (THALI et cols., 2003, pp. 22–7).

Inúmeras são as aplicações da radiologia forense como na determinação da idade e nos casos de infanticídio pela docimásia radiológica de bordas, onde os pulmões que não expandiram, mostrar-se-ão opacos aos raios X, não sendo visualizados o diafragma e as bordas cardíacas (FRANÇA, 2004, p. 286).

A virtópsia nasce com a introdução da tomografia computadorizada (TC) e da ressonância nuclear magnética (RNM) no exame cadavérico (DIRNHOFER et col., 2006, pp. 1305–33).

Com a TC é possível obter imagens digitais com secção transversal a partir de projeções radiográficas transaxiais e reconstrução em 2D e 3D através da TC helicoidal (THALI et cols., 2002, pp. 223-8).

A TC multi-slice (TCMS) tem grande aplicação na abordagem antropológica para determinação da idade, com mensuração óssea em ângulos diferentes, propiciado pela reconstrução em 3D (DETOUIT et cols., 2007, pp. 960-4).

Pela TCMS é possível diagnosticar com certeza um caso de hemorragia extrapleural no denominado sinal do “ápice em chapéu” que pode indicar ruptura de aorta ou hemorragia extrapleural (BOLLIGER et cols., 2007, pp. 44-7).

Apresentam vantagens quanto à análise mais detalhada de fraturas, de patologias específicas, de reações vitais, reconstrução de lesões, de coleções aéreas provenientes de eventos embólicos, enfisema subcutâneo de natureza traumática etc. (THALI et cols., 2007, pp. 100-4).

Possibilita à suspeição de afogamento quando achado fluido espumoso nas vias aéreas, e ou opacidade em vidro fosco dos pulmões, à TC (LEVY et cols., 2007, pp. 862-8).

Com a Micro-TC os padrões de lesões ósseas podem ser vinculados a instrumentos vulnerantes específicos como facas (THALI et cols, 2003, pp. 1336-42).

Na RNM o fundamento se deve a maior quantidade de núcleos de hidrogênio (H) nos tecidos moles, cujo alinhamento e desalinhamento desses núcleos são induzidos por um campo magnético, e consequentemente, o processamento da imagem (BOLLINGER et cols., 2008, pp. 273-8).

Portanto, a RNM é superior à TC para elucidar patologias de tecido mole de etiologias traumáticas ou não, assim como detalhar tridimensionalmente os efeitos balísticos nas vítimas de disparos de armas de fogo (THALI et col., 2003, pp. 8-16).

As figuras (fig. A, B e C) a seguir exemplificam a superioridade, a fineza e a especificidade diagnóstica e dinâmica da virtópsia diante da autópsia convencional.

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Fig. 1 A, B e C: virtópsia; retirado dos sites: http://www.marisolcollazos.es/articulos/forense/Autopsia-virtual-SIEMENS.php e

http://www.somosmedicina.com

 

 

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